Outra Copacabana Ensaio inédito de Andre Arruda
Copacabana é a Princesinha do mar ou a prova irrefutável do caos urbano? Reflexão que o fotógrafo Andre Arruda, morador no bairro a vida inteira, decidiu propor ao carioca em forma de imagens em preto e branco. Junto com o proprietário do Copa Café, Roberto Peres, os dois decidiram apresentar ao público a exposição Outra Copacabana, em cartaz no local a partir de 4 de dezembro.
A idéia conjunta é apresentar a maravilha que Copacabana tem para mostrar ao mundo: o bairro mais cosmopolita e multifacetado da cidade do Rio de Janeiro. O bairro charmoso e classudo da década de 50. O bairro decadente e superpovoado da década de 70. O bairro que abrigou a louraça Belzebu de Fausto Fawcett na década de 80/90 e que, hoje em dia, restabelece sua vocação com a abertura de bares charmosos como o Copa Café, em plena Avenida Atlântica, esquina com Bolívar, um oásis de sofisticação no calçadão mais controvertido do Rio.
Andre apresenta em 16 fotos em preto e branco e realizadas entre 1988 e 1991, duas versões contraditórias. De um lado um olhar arqueológico, de outro o futurista. Em algumas fotografias vemos vestígios de uma Copacabana que não existe mais, como a pesca de arrastão à beira d’água. De outro, Andre nos coloca frente a frente com fragmentos de uma mítica Gotham City e com cenas que parecem ter saído de Blade Runner.
Na foto av. Copacabana 010190, em que a Avenida Nossa Senhora de Copacabana é mais céu que prédio ou em Copacabana Sky, um céu (uma das fixações de Andre) que parece um tornado invadindo o bairro; ou na foto da reforma do Roxy - quando esse ainda um cinema de uma sala só - visto através de andaimes. ‘’Foi quase um flagrante. Estava na minha moto, o sinal fechado e olhei pra cima e vi essa fantástica gaiola de aço em torno do concreto. Pensei em Gotham city ou Metropólis’’, compara. No mix de estilos que retrata Copacabana, Andre Arruda exibe a faceta milionária do bairro na foto da cascata de fogos do Meridién, e a outra do laboratório urbano em que o bairro se transformou, no díptico Fundos Dia e Noite. Duas imagens dos fundos de dois prédios, um de quitinetes, outro de bons apartamentos. Uma de dia, outra de noite. Todas as duas retratando a pobreza e a solidão que existe no enorme adensamento populacional do bairro.
Essa Outra Copacabana que Andre Arruda passou a vida observando reflete o pensamento de Roberto Peres. Contrariando modismos e previsões econômicas, ele abriu o Copa Café há dois anos e o transformou em algo diferente do usual. Não tem mesa no calçadão, não tem gritaria, nem confusão, não é a Copacabana para inglês ver. Lá dentro, luz ambiente agradável, música moderna e palatável, comida sofisticada com toques inusitados. O público é extremamente diversificado. Moderninhos, coroas, casais, artistas, arquitetos, publicitários, moradores de diferentes bairros, cidades e países convivem em paz. O encanto que o bairro produz é tanto criou no proprietário o desejo de abrir uma nova casa no bairro no próximo semestre.
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